terça-feira, 23 de novembro de 2010

Toda mulher feliz e equilibrada deixa saudades.


Marcamos de nos encontrar, um programinha casual. Fomos até a sua casa, ao lado da cama, um colar. Meu não é. De alguma garota da noite anterior. Ou da semana passada. Ou do ano passado. Ele é cheio de garotas e pela primeira vez na vida sorri ao pensar isso. Tá certo ele. Bonitão, engraçado e safado. Que mulher não se apaixona por ele? Eu. Eu não me apaixono mais por ele. O que significa que agora podemos nos relacionar. O que significa que agora, posso ficar tranquilamente ao lado dele sem odiar meu cabelo, minha bunda e minha loucura. E posso vê-lo literalmente duas vezes ao ano, sem achar que duas vezes na semana são duas vezes ao ano. E posso vê-lo ir embora, sem me desmanchar ou querer abraçar as fotografias e chorar. Consigo até dar tchauzinho do portão. Tchau, vou comer um pedaço de torta e assoviar. Tchau, querido mais um ser humano do planeta.
To organizando minha vida. Preciso de horas complementares. Ele briga comigo: sua vida está ótima, que perda de tempo se preocupar com o que estará fazendo daqui a 2 anos. Eu apenas achei graça. Se eu o amasse, abandonaria todos os meus planos, sentaria no chão e começaria a chorar. Por favor! Goste de mim! Por favor! Como assim? Eu ia ficar com isso na cabeça um mês. Ia aumentar a terapia em três vezes por semana. Ia querer morrer. Mas apenas ri e continuei na minha missão de cuidar dos meus planos. Depois reclamou que eu só uso jeans. Jeans é um tecido muito desconfortável. Olhei sínica e disse: na próxima vez eu já venho pelada. E ele me olhando com preguiça. Ai menina, como tu anda mau humorada. E eu assumi o meu mau humor e o larguei falando sozinho. Se eu estivesse apaixonada, ia bolar milhares de motivos mirabolantes para lhe explicar meus motivos em estar mau humorada, ou por ter colocado jeans.Ia entrar na lenga lenga insuportável de pedir desculpas por ser como sou, como se isso tivesse explicação ou desculpas ou salvação. Teria morrido, ou melhor, o matado, porque não suporto olhares de preguiça e reprovação. Teria perguntando, ainda que inconscientemente, o que fazer, naquele fim de noite, para ser absolutamente perfeita. Me odiando e odiando ele por me sentir assim, uma imbecil. Mas não, apenas voltei a ver o filme. Ele me achar mau humorada e o porteiro da universidade me achar sexy tem o mesmo poder sobre mim, nenhum. Outro dia saímos com alguns amigos dele, um barzinho qualquer. E ele me olhando de longe. Ah, se ela tivesse agido assim. Tão normal, tão simpática, tão leve, tão boa companhia. Ao invés daqueles surtos de ciúme, daquelas cobranças por mais intensidade, daquela necessidade em acordar de madrugada com medo da vida, daquela arrogância pra cima de mim e dos meus amigos que não sabiam conversar de livros, filmes, músicas e dor na alma. Se ela tivesse confiado assim no taco dela. E sorrido mais. Se ela tivesse me amado sem amar. Ou como amam as pessoas que conseguem se relacionar. E eu lá, sendo adorada por ele, justamente porque não o adoro mais. Ô vidinha filha da puta. No final do encontro, a frase que eu temia. “Vai sair hoje?”. Eu sabia. Toda mulher feliz e equilibrada deixa saudades. Mas eu não queria. Eu só queria amar alguém, com toda a tristeza e desequilíbrio que vem junto com isso, e continuar deixando saudades. Quando dizem que namoro ou casamento ou qualquer relacionamento mais sério não pode dar certo, eu discordo. O que definitivamente não dá certo, ao menos para mim, é se apaixonar. Agora, que graça tem fazer qualquer coisa da vida sem estar apaixonada?

Ô vidinha filha da puta.

Materialista? Nem um pouco!


Um dia você acorda e não entende como cabe tanto dentro. Do armário ou da vida. E aí você decide se livrar de. Coisas ou pessoas? Eu, particularmente, prefiro me livrar de pessoas. Das coisas tenho uma dificuldade imensa em me desfazer. Não queira pensar com isso que sou materialista. Mais as pessoas ao contrário das coisas, tiveram escolha ao entrar em minha vida, e algumas delas ainda assim deixaram suas digitais sujas. É possível me compreender? Talvez em ''Pandora''.

Quando resolvo me livrar de alguém não sinto falta, e faço isso de caso pensado, não tenho medo, medo depois de dizer que aquela pessoa já nem me desperta nada. Porque não desperta. Faz parte de fase morta. Minha vida funciona em compartimentos, mas isso é segredo meu.

Das coisas eu não me livro. Do meu lixo velho. Dos ursos mortos, das bonecas quebradas. Dos lápis em toco que escreveram meu/TEU nome.


Eu sou mesmo engraçada! Louca?
- NÃO. Não me julgue assim, você e suas manias sujas de sair julgando todo mundo.

Por isso cumprimento tão pouca gente na rua. Por isso caem tantas coisas cada vez que eu abro uma gaveta, uma porta. Por isso tenho dois ou três amigos apenas, e ouça não me arrependo. Por isso é que eu poderia ser tão triste. Mas eu não sou. Não sou.

Nunca pedirei mais do que tens pra dar.



Se eu andasse por ai te procurando nunca teria te encontrado, se você tivesse chegado antes, eu não teria notado... Você me ganhou nos pormenores, nos mínimos detalhes e aposto que nem desconfia. Mas já que você chegou no momento certo, vou te pedir que fique, nem que seja por alguns instantes em minha vida, MAIS QUE FIQUE. Mesmo que o amanhã seja incerto demais pra gente, mesmo que estejamos começando do nada com pequenos grãos de areia (no sonho de construir um castelo). E ainda que não haja nada duradouro prescrito pra gente, ainda assim vamos tentar. Ofereço, muito carinho, um imenso respeito e todo meu bom humor, pode não ser o bastante pra te conquistar, mas te garanto, não vou pedir mais do que você tem pra dar, assim como eu não darei mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tenho,É SEU!

Felicidade sem cobrança




O que eu mais custo a aceitar é a felicidade. Sua irmã, a infelicidade, eu acomodo com muito gosto, tão logo ela chega. Eu me apego à ela com uma facilidade doce e sem perguntas. Logo o abraço é completo e apertado, sufocante até.


Quando a felicidade chega, porém, eu abro só uma fresta da porta, com desconfiança imensa.
— De onde você vem? E veio por quê? E quem foi que te mandou? E quanto tempo pretende ficar?


A felicidade, geralmente pequena, mas significativa, treme suas penas todas ali na entrada. Ela responde entrecortada e já meio vacilante que se a hora não for boa, ela vem em outra, mais propícia.


A contragosto deixo a felicidade entrar, mas fico sempre à espreita, mantendo sua pequenez no canto do olho. Eu sondo seus motivos, eu suponho seus porquês, até que ela toda suma no ar.


É porque eu ainda não entendi que também a felicidade vem sem cobranças. É porque, no fundo, estou acostumado a pagar um preço pelo que é bom. E uma felicidade, assim, sem acerto prévio de contas, me causa estranheza de morte. É porque eu preciso aprender a aceitar mais. E é também porque eu preciso entender que quando a felicidade vem, sem motivos, basta deixá-la pousar no peito e não perguntar jamais os porquês.


Mesmo que ela arrulhe demais, mesmo que ela me arranhe demais, mesmo que ela seja misteriosa demais. Por Deus, é só uma felicidade, deixo que essa fique, então.